A era da hipersensibilidade emocional

10 de abril de 2018

Por Gilaelson

Este é um tema urgente, que vem preocupando sociólogos e pensadores de todo o mundo, além de amedrontar a sociedade de modo geral. Para entendermos melhor este fenômeno, precisamos lembrar que, aproximadamente no final do século XIX, a sociedade fez uma ruptura histórica entre sentimento e razão. E simplesmente optou por seguir seus sentimentos, desqualificando a razão a um nível tão insignificante que até, quando citada, tornou-se motivo de escárnio e deboche.

Hoje, as pessoas estão sendo treinadas ou orientadas a decidir tudo com base no campo da emoção.

O sentimentalismo vigente representa um conjunto de emoções falsas ou adoecidas, que vem regendo a sociedade atual. É como se a razão, verdade ou lucidez, como queira o leitor denominar, tivesse partido para outro mundo, e o que vale agora não é mais a verdade, com suas diretrizes, e sim o que os sentimentos dizem. Se me sinto bem, então não importa se estou certo ou errado; o importante mesmo é ser, se sentir feliz.

Daí nasce a hipersensibilidade. A sensação predominante no ar é a de que nunca foi tão difícil emitir uma opinião a respeito de qualquer coisa ou comportamento. Tudo agora é processo, preconceito e intolerância. As pessoas se magoam por qualquer coisa, elas reclamam banalmente de discriminação e, às vezes, sem nem saber se o termo se aplica à situação vivida por elas. Uma sensibilidade estranha, exagerada, que faz doer, mesmo quando o toque é por amor.

Agora até o jogador de futebol não pode mais fazer uma dança no êxtase do gol, que magoa ou inflama a torcida. Você não pode mais rir se a pessoa aparece na escola com um penteado de cabelo engraçado, que é acusado de bullying. E o que falar de um rapaz que diz a uma moça na rua que ela está bonita? Não pode! Porque é assédio sexual, etc. Tenho a impressão de que, na minha época de infância e adolescência, as pessoas eram emocionalmente mais saudáveis e amadurecidas. Um tempo em que os processos indenizatórios faziam pouco sucesso e menos sentido.

Um exemplo interessante a ser mencionado é que até a literatura sempre tratou o portador de cegueira como cego. Mas agora não podemos citá-los dessa forma por que os machucam! Eles são deficientes visuais. Quando, na verdade, o que de fato machuca é não lhes oferecer a mobilidade e encolher as mãos em suas necessidades. Mas por que a sociedade mudou seus conceitos de forma tão rápida? Por que estamos presenciando uma geração tão frágil assim? E por que ela não suporta mais um confronto sequer?

Não se iludam! Existem duas ideologias poderosas por trás dessa regência superficial dos seres. A primeira é o curso da libertinagem disfarçada de liberdade que infectou a maioria, desde a infância até a velhice. Uma espécie de escudo que serve para que alguém se defenda da verdade e ao mesmo tempo esconda sua incapacidade de observar princípios. A segunda é a indústria que fomenta essa forma de ser e de viver, porque a tal depende dessa fraqueza para construir suas “REAI$” fortalezas.

Funciona mais ou menos assim: eu treino você a interpretar, sentir-se e reagir sensivelmente aos inevitáveis confrontos sociais e, quando você acusar a ferida, eu lhe darei o antídoto. É só passar em nossa clínica terapêutica e, depois de algumas sessões, você aprenderá a elaborar os fatos. Ou ainda: quem se sentiu lesado por alguém que discordou de você e criticou sua escolha passe em nosso escritório que, em menos de 24 horas, preparamos uma ação reparadora de danos morais. Você será recompensado e assim todos ganham.

A fragilidade humana nunca foi tão lucrativa e fez tanto sucesso como agora. Ah! Se um dia a razão voltasse para nós!

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