A era da velocidade

16 de maio de 2018

Por Gilaelson

Hoje, tudo o que não envolve rapidez ou que possui uma certa lentidão, definitivamente perdeu o seu valor e não tem mais utilidade para essa geração. Tudo agora tem que ser veloz, ultra-rápido e desprovido de reflexão. Nossa comida precisa ser rápida, nossa comunicação tem que voar, os nossos carros precisam alcançar 300 kmh, mesmo sendo proibido atingir tal velocidade. Não aceitamos processos vagarosos, nossos smartphones precisam acompanhar a velocidade dos nossos pensamentos e até as pessoas que não atingem a velocidade que exigimos, tornaram-se descartáveis.

Será que essa velocidade toda representa um extraordinário avanço evolutivo de compreensões ainda não reveladas, ou um espantoso retrocesso na capacidade de refletir? Onde a humanidade deseja chegar com essa cega fixação pela velocidade? O que as pessoas estão deixando para trás? Confesso que estou sentindo a ausência de reflexão em tudo, e em todos! É como se tivéssemos sido contaminados por um vírus que afetou todo o comportamento humano numa aceleração sem precedentes.

Sinto falta das moças que ao serem pedidas em namoro por um rapaz, também pediam um tempo para pensar. Nossos cursos superiores agora demoram menos e o mundo não espera por mais ninguém. Me lembro de ter escrito aos 11 anos de idade, uma carta para um tio que vivia em outro estado e na época foram 15 dias pra chegar e mais 15 para receber resposta. Aquela espera, fertilizava a imaginação e ao mesmo tempo, preenchia os espaços da saudade nas relações que sofriam com o incômodo da distância.

Agora a espera de 15 segundos por uma resposta de mensagem em qualquer rede social, já é o bastante para as pessoas ficarem nervosas ou no mínimo ansiosas, deixando nítida uma verdade. Nós já não somos mais os mesmos, nem pela capacidade de raciocínio e muito menos pela virtude de esperar. Estamos correndo, e às vezes, nem sabemos o porquê. Tenho a sensação que nos perdemos no controle e na regência da evolução, porque a proposta da década de 70 era somente acelerar sistemas e máquinas, e não os seres humanos.

Mas agora, vivemos no ritmo de máquinas e sistemas que ditam diariamente qual deve ser o nosso compasso na pista da vida. Estamos sendo levados a proceder sem refletir, a correr sem objetivos e condenados a uma vitória sem prêmio. Por isso, precisamos nos perguntar se vale a pena toda essa submissão a um processo adoecedor que nos acelera, mas não nos exercita para uma vida mais inteligente.

O fato de estarmos curvados e subservientes a esse padrão de vida, nos faz deixar para trás riquezas e cuidados essenciais para a construção de uma alma mais saudável, como por exemplo: a virtude da percepção que é mais um fruto da reflexão. Que tal redescobrir a riqueza do pensar, antes da insensatez da precipitação e optar pela segurança da reflexão? Acredito que seja a hora sacar a inteligência racional ao invés de nos dobrarmos a artificial, dar um slow motion nesse ritmo, e, por fim, nos impor diante dessa ditadura da velocidade que tem acidentado os seus adeptos.

 

 

 

No Comments

Deixe uma resposta

avatar

Publish

Contato
27 de abril de 2018
Comentário: A copa do mundo que não encanta mais o mundo
22 de maio de 2018