A igreja e sua influência na política

17 de outubro de 2018

Por Gilaelson

Embora as Escrituras jamais tenham apresentado a política como demônio ou alguma espécie de projeto maligno a ser evitado, parte da igreja cristã sempre nutriu uma aversão a esta chamada ciência de governar. E, ao decorrer da história, a Igreja foi para um lado e a política para o outro. De modo que ainda sobrevive um pensamento, no seio da comunidade cristã, de que ela não deve misturar uma coisa com outra, e essa separação de “santo e profano” faz com que a igreja esqueça sua humanidade e deixe às traças uma civilização que clama por sua influência saudável, a qual pode fazer ver novos horizontes.

Defendo que a principal e maior missão da igreja é a pregação do reino de Deus e que a igreja deve viver intensamente este chamado; sem, contudo, desprezar o meio em vive, a ponto de não tentar influenciá-lo no curso do seu destino. É importante lembrar que, embora a igreja anuncie um reino que não é deste mundo, ela não o faz a partir do espaço sideral, mas sim dentro de uma civilização que tem, entre outras necessidades, a da contribuição política. Às vezes, olho para alguns cristãos e penso que eles vivem em outra galáxia, devido a sua insignificância no contexto social. Tenho a impressão de que eles deixaram de existir como cidadãos, assumindo uma linguagem extremamente religiosa, com sinais patológicos, devido a uma nítida falta de percepção da realidade.

A nossa sociedade, como qualquer outra, está cheia de vícios, corrompida, cega e sem direção. A bíblia diz que nós, como cristãos, temos algumas qualidades que podem ajudar a sociedade a viver dias melhores, a começar pelo exemplo. Um bom cristão, devido a sua nova vida, tem a capacidade em Cristo de traçar novos caminhos para uma sociedade a partir do seu novo estilo de vida. Mas não é só isso. As Escrituras dizem que nós temos uma mentalidade renovada, um entendimento avançado das coisas, o qual pode ajudar e muito a mudar maus hábitos de pessoas. Além desses métodos, o amor é outro meio pelo qual transformamos uma sociedade.

Na política social, a igreja tem sim o seu papel! Lavar as mãos, como muitos cristãos tem feito há séculos, é muito cômodo. A igreja, sem dúvida alguma, precisa repensar seu posicionamento em relação à política. O Pastor pode ser um conselheiro de políticos que governam a nação, mostrando-lhes um caminho honesto e verdadeiro pelo qual devem guiar sua governabilidade. Os cristãos, de modo geral, podem, por sua vez, orar pelos rumos políticos da nação, mas sobretudo conscientizá-la, por exemplo, dos valores que devem pautar um voto. Mostrar a necessidade da moral e o bem que faz a ética. A igreja pode orientar a sociedade a votar em candidatos que mais se aproximam dos valores cristãos e se distanciar daqueles que têm a corrupção como companheira.

Acredito que, como papel secundário, a igreja pode deixar sim um legado extraordinário na política. Não dá mais para ficar de fora apontando a corrupção alheia, sem contribuir de alguma forma para uma mudança significativa no sistema. Precisamos apoiar pessoas que julgamos preparadas para administrar a nação, clamar por leis que protejam a sociedade, ajudar no processo como um todo. Enfim, chega de manter somente um discurso religioso quando os gritos por normas sociais ultrapassam os decibéis do bom senso. A igreja deve amar, ensinar e orientar pessoas nesta civilização perdida pelos descaminhos dos seus ideais.

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