A maturidade não é para todos

23 de julho de 2018

Por Gilaelson

Antigamente se pensava que a maturidade emocional estava estritamente ligada à idade cronológica das pessoas, porque, segundo a sociedade antiga, esses indivíduos haviam adquirido muita experiência e, por isso, chegava-se à conclusão de que mereciam tal reconhecimento. Mas, sinceramente, não gosto quando me dizem que este ou aquele indivíduo é uma pessoa madura, como se a mesma tivesse um selo de garantia que a qualificasse em tal condição. Prefiro acreditar em pessoas que estão continuamente aprendendo no curso da vida e em outras que, apesar de si mesmas, vivem extraindo dos seus próprios erros ou deficiências diárias caminhos mais sóbrios.

Será que a maturidade se assenta somente no campo da experiência, como algumas pessoas se vangloriam ao dizerem: “eu tenho muita experiência de vida”? E se todo esse experiencialismo exigido não for um fim em si mesmo, mas somente uma porta que se abre para a maturidade passar? Não acredito que o fato de viver uma experiência seja garantia de maturidade; às vezes uma experiência vivida foi simplesmente um experimento, sem saldos positivos e nada mais. Há pessoas que, mesmo depois de se darem mal devido a alguns atos que cometeram, voltam a repeti-los e a se comportarem da mesma maneira sem que haja nenhum ganho em sua cosmovisão.

É necessário entendermos que a maturidade não é um estágio que está intrinsicamente ligado à idade ou a fatos vivenciados. Vejo criança com atitudes de gente grande e adultos reagindo de forma infantil ao estica e puxa da vida. Por isso, existem meninos de 50 e adultos de 12, convivendo com suas precoces ou tardias fases do aprendizado. Como explicar, por exemplo, o fato de uma criança, aos 7 ou 8 anos, já saber que profissão vai escolher a ponto de afirmar que quando for grande vai trabalhar e comprar uma casa para os pais? Depois crescem e assim fazem. Enquanto isso, vemos adultos de 22, 25 anos que ainda não sabem o que querem da vida.

Na verdade, a maturidade está ligada diretamente ao equilíbrio do ser. É uma qualidade adquirida que compreende um conjunto de fatores ao longo do percurso. Assim, uma pessoa que analisa ou decide tudo pela razão, mas despreza emoções e invalidam sentimentos, que são necessários para a vida, só demonstra que ainda não aprendeu sobre flexibilidade. Da mesma forma, há indivíduos decidindo tudo emocionalmente e, por isso, são incapazes de racionalizar os fatos e fazer ponderações sobre eles, como sempre requer a nossa existência.

Outra certeza nesta caminhada são os sinais importantes que emitimos da nossa falta de maturidade, como não aprender com os próprios erros. É quando ainda não conseguimos enxergar que os erros são nossa grande fonte do saber. Ter dificuldade de lidar com o diferente é outro sinal de imaturidade. São pessoas que acham que sua visão de mundo deve prevalecer, não estão abertas a novos pensamentos que destoam de suas meras conclusões. Ter insegurança constante também é outra expressão da imaturidade. Pessoas que falam constantemente de si mesmas, reforçando qualidades próprias o tempo todo, e com dificuldades para tomar decisões também precisam amadurecer. Há ainda os que brigam por qualquer coisa, os chamados “pavios curto”. Esses têm recorrentes dificuldades em se conterem diante do que lhes desagradam, são pessoas altamente inflamáveis. Geralmente vivem sérios problemas de relacionamentos no trabalho, com os amigos e nos relacionamentos afetivos. Frequentemente ouvimos pessoas que saíram desse estágio dizerem “antigamente eu me estressava por qualquer coisa, mas hoje estou mais tranquilo”. Um indicativo de que essa pessoa avançou em maturidade.

Na verdade, a maturidade é uma condição adulta da psique humana da qual o indivíduo pode ou não, se encontrar próximo dela. É ter uma estrutura mais elevada ou desenvolvida de si mesmo. Porém, não acredito na maturidade plena, porque estamos sempre nos deparando com novos fatos, sensações desconhecidas e informações até então impensáveis no jogo da vida. Por isso, todos nós estamos em contínuo aprendizado e submetidos ao teste do viver até que a morte, enfim, apareça.

Hoje, tenho por certo que a maturidade está ligada à estrutura que cada um desenvolveu é um olhar mais profundo que algumas pessoas adquiriram sobre si mesmas. Reconheço ser também um resultado do contexto em que vivemos, mas, sobretudo depende da capacidade do indivíduo de fazer leituras mais realistas e críticas, tanto do seu comportamento como do comportamento dos outros. Isso passa pelo berço em que nascemos, pela nutrição pedagógica que recebemos, pelo QI-Quociente de Inteligência que possuímos, juntado à capacidade ou não de absorvê-los. Daí porque não dá para acreditar em que todos vão chegar à maturidade, porque nem todos tiveram as mesmas oportunidades na existência. Razões pelas quais vemos muitos adultos em idade que reflete simplesmente crianças que cresceram.

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