Amar é uma forma de sofrer

11 de setembro de 2018

Por Gilaelson

Sei que posso parecer meio paradoxal, propondo esta visão que, ao certo, vai de encontro ao que pensa a maioria dos amantes que desconhecem o outro lado do amor real. Mas a verdade é uma só: Não existe amor sem sofrimento. Aliás, me arrisco a dizer que amor sem sofrimento é uma paixão superficial. E isso vale para todas as relações que exigem tal comportamento. Uma mãe que decidiu engravidar, por exemplo, também se entregou ao sofrimento, pois sabia que iria ficar exposta aos incômodos de uma gestação, de dores e até de mudanças sem volta em seu corpo. Mas, logo que o seu filho nasce, ela sabe que o sofrimento vivido foi a forma de tornar o seu amor uma realidade.

Preciso lhe dizer uma verdade: amor não vem de graça e sua realização não ocorre como na gratuidade de um brinde. Alguém tem que pagar o preço da paciência para com o outro, encobrir suas dívidas com perdão diário, além de conviver com os arranhões da renúncia de si em prol do outro. Nós cometemos um grave equívoco ao associarmos amor a um simples estágio de prazer. Amar, na verdade, compreende esforço, angústias, dedicação e, por fim, completude. As pessoas costumam desistir muito facilmente do seu objeto de amor quando este começa a produzir as primeiras dores e, por isso, perdem a oportunidade de viverem uma vida em amor.

Se você sofre hoje por amar alguém, que seja seu filho, o homem ou a mulher da sua vida, não pense que esteja em desvantagem; muito pelo contrário, você está entre uma minoria que pode ajudar a transformar o mundo, por estar disposto a arcar com os custos exigidos pelo verdadeiro amor. O sofrimento torna o amor aperfeiçoado, rico e insubstituível. Um amor sem sofrimento, sem luta e sem nenhum grau de dificuldade pode ser classificado como um conto e provavelmente não resistirá ao teste do tempo, que costuma penalizar a todos. Amar alguém é, sem dúvida alguma, a maior experiência na vida de um homem, mas é também o maior sacrifício que fazemos em relação a alguém.

Portanto, quem decidiu amar, inevitavelmente, vai sofrer. Em alguns casos, esse sofrimento tem um limite; já em outros, vai até o final de suas vidas. Mas, se sofremos por estarmos ao lado do bem, o nosso sofrimento é justo e louvável. Por isso, é tão difícil amar, porque tem custos, obrigações, decepções e, sobretudo, amar reduz o nosso ego ao bem-estar do outro, e poucos estão dispostos a se submeterem a isso. Daí, é mais fácil para muitos manter suas relações na esfera do prazer, buscando o proveito próprio. Estes, porém, não poderão experimentar os benefícios do amor real e nem degustar o sabor da felicidade, porque o amor que carregam é raso e não tem como base o alicerce do sofrimento.

 

MS

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