Chegou o fim da privacidade!

29 de junho de 2018

Por Gilaelson

A privacidade nunca fez tão pouco sentido como na atualidade. Antigamente a intimidade
pessoal era, por força de consciência, um direito inviolável do cidadão, e nós exigíamos
essa garantia porque entedíamos melhor o seu valor. Agora, a privacidade não tem a
mesma importância e nem carrega sobre si o sentido de outrora. Passamos a ser vigiados,
expostos e invadidos bem mais do que você possa imaginar. Primeiro, vieram as câmeras
de vigilância, quando, em 1965, a polícia de Nova Iorque instalou, em praça pública, os
olhos eletrônicos para monitorar os que ali passavam. Hoje, com a tecnologia, elas não
deixam passar nada! Filmam no claro e no escuro, gravam e disponibilizam as imagens na
internet. Através delas, é possível saber: onde você foi, com quem estava, que roupa usou,
em que loja entrou e com quantas sacolas saiu nas mãos.

Mas o que os nossos avós jamais poderiam imaginar é que a nossa intimidade ainda iria se
tornar uma grande fonte de lucro. Claro, não para nós indivíduos ingênuos, mas sim para os
mais espertos; refiro-me aos gestores das grandes corporações. Recentemente,
autoridades do mundo inteiro em segurança digital têm afirmado, com riqueza de detalhes,
que os aplicativos de terceiros instalados em nossos smartphones estão coletando nossas
falas e vendendo-as para empresas que usam as informações para fins comerciais. O
facebook é um deles, e já tem respondido atualmente em duas coortes internacionais sobre
o vazamento de informações sigilosas de seus usuários. Seu presidente, Mark Zuckerberg,
pediu perdão, mas é suspeito de usar dados de seus usuários para benefício próprio.

Funciona basicamente assim: os aplicativos acessam a câmera do seu smartphone em
secreto, abrem o microfone do seu aparelho, espiam o que escrevemos. E até mesmo o
que falamos em off pode estar sendo captado por apps de terceiros e sendo vendidos para
mover um mercado que, em nome do lucro, decide, via conexões antiéticas e imorais,
captar e expor a intimidade alheia. Isso mesmo! O que antigamente só cabia em telas de
cinema agora se tornou uma realidade assustadora e de consequências tenebrosas. Mas o
que me incomoda mesmo nesta invasão disfarçada de tecnologia é o silêncio das vítimas. E
é justamente nesse silêncio que podem estar as respostas que precisamos.

Você já percebeu que muitas pessoas estão fazendo questão de exibir suas intimidades?
Esse é um agravante na história difícil de explicar. Por que de repente nasceu no coração
dos indivíduos a necessidade se se exporem? Vamos tentar entender: de um lado, nós
temos empresas que buscam, a cada segundo, saber o que conversamos e escrevemos em
secreto; do outro, temos pessoas que estão mostrando quase tudo em suas redes sociais.
Porque agora é possível saber os locais que elas frequentam, o que comem, para onde
viajam, que dia voltam, como são os quartos em que elas dormem, e até aparecem com
suas roupas de dormir para mostrar ao mundo seu jeito privado de ser e de viver.

Afinal, será que estamos falando de uma patologia de proporção mundial, em que pessoas
com suas intimidades invadidas e direitos violados não reclamam, não se ferem e nem se
incomodam? Ou vivemos uma nova era que exige a desconstrução dos valores construídos
por nossos pais? A verdade é que estão configurando uma geração para se desconectar da
moral e restringindo o seu acesso à ética. E, em meio a tudo isso, só me resta dizer: Adeus,
privacidade! Foi bom enquanto durou. Quando você existia, nós éramos bem mais
saudáveis.

No Comments

Deixe uma resposta

avatar

Publish

Vaticano desmente PT e diz que terço dado a Lula não foi enviado pelo Papa
15 de junho de 2018
Mais uma armação do PT deu errado! Lula continua preso
8 de julho de 2018