Demorei de aprender a duvidar

28 de agosto de 2018

Confesso que, no percurso da existência, demorei de perceber que, na formação da vida, a verdade nem sempre é que faz a recepção. Na maioria das vezes, a mentira, a ignorância, o engano e a inocência sempre chegam antes, tentando se passar por ela. Paguei um alto preço até enxergar que a verdade não está na introdução das coisas e nem nos cabeçalhos apresentáveis das mentes perspicazes que nos rodeiam. Diferentemente do que muitos dizem, a verdade nesta vida está na leitura e na análise completa das linhas por trás das escritas dos fatos e principalmente depois dos portais questionadores da dúvida.

Desde criança, devido a influência da religião, fui treinado a ser crédulo em tudo, e não me ofereceram a prerrogativa da dúvida e nem me disseram que tinha direito ao questionamento. Mas, sim, o que me cabia era o dever de acreditar. A dúvida, por sua vez, se tornou uma inimiga, da qual deveria me distanciar, porque esta não fazia bem, só o mal. Quanta alienação me propuseram! Somente depois de muitas observações cheguei ao entendimento de que a dúvida é uma bênção e que a verdade, geralmente, vem depois dela.

Todos nós tendemos a acreditar em uma informação quando esta somente reforça o conceito que já possuímos sobre aquela questão e, equivocadamente, quando aquela informação discorda do nosso ponto de vista, consideramo-la como inverdade e consequentemente a recusamos, sem nenhuma análise prévia. E se a verdade, porém, de fato estiver do outro lado e a mentira se encontrar guardada conosco pelo equívoco daqueles que nos passaram suas heranças fraudulentas ou ideias rudimentares?

O muro que mais nos separa da verdade não é a dúvida, e sim a certeza do orgulho que, em seu reino, não nos permite reconhecer erros, além de lacrar nosso entendimento a fim de que não percebamos que errar faz parte do processo e que corrigir posturas é um dos caminhos mais verdadeiros da existência. Para exemplificar isso, posso citar o engodo religioso que faz tanto sucesso. Religiões que mantêm milhões e até bilhões de pessoas em um sistema de crenças falsas, que passam, para essas pessoas, a ser verdade absoluta. Tudo porque não questionaram antes, mas simplesmente receberam a primeira versão da verdade que encontraram.

E você, já tem humildade o bastante para questionar suas verdades? Como você chegou até elas, ou quem lhes contou? Suas fontes estavam certas ou somente lhe repassaram uma tradição? Se você ainda não tem coragem de se submeter ao teste do questionamento, talvez seja porque suas verdades ainda não estejam solidificadas. Tenho aprendido que a verdade resiste a qualquer tempestade de interrogatório, porque é verdade. Mas, para uma compreensão mais amadurecida, precisamos separar verdade de tradições, e não chamar mais a dúvida de demônio. Confesso que algumas vezes na vida me peguei guardando a informação errada e repassando o conhecimento equivocado. Hoje, entretanto, me alegro por ter feito a tempo o redirecionamento da rota para não fazer da vida um engano sem fim.

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