Eu tentei

17 de setembro de 2018

Frustração! Esse é o termo que comumente se aplica a pessoas que lutam e não conseguem alcançar seus sonhos ou objetivos propostos. Porém, diferentemente do que dizem, sou daqueles que valorizam as tentativas e enxergam nelas muito mais que uma ação decepcionante de resultados sem valor. Vejo nas tentativas a qualidade do esforço, o enfrentamento do medo de não dar certo, a força de um querer convicto que foi à luta e sobretudo a capacidade de ultrapassar limites. Eu, por exemplo, coleciono tentativas responsáveis por alargar a minha visão da vida e abrir caminhos para um nível mais inteligente do comportamento.

Eu tentei ajudar pessoas que não queriam ajuda, as quais fizeram a triste escolha de seguirem sem dividirem seus fardos existenciais numa caminhada solitária e egocêntrica.

Eu tentei não duvidar de que Deus responderia a algumas das minhas orações, mas não consegui porque cometi o equívoco de pensar que a capacidade de crer estava em mim mesmo.

Eu tentei avisar alguns inocentes do precipício em que estavam prestes a caírem; mas, no final, percebi que nunca poderiam se livrar através do meu alerta, sem que antes descessem ladeira abaixo.

Eu tentei matar alguns desejos que me mantinham escravo de seus prazeres, até notar que não havia como porque eu sou o problema.

Eu tentei acertar mais que errar, até me convencer de que, embora quisesse fazer sempre o certo, a inclinação ao erro é a minha tendência natural.

Eu tentei, com todas as minhas forças, amar quem não me amava, investir em quem não tinha um projeto ao meu lado; mas fui desiludido pelo tempo, quando este me disse que nem todos possuem a capacidade de amar.

Eu tentei unir pessoas e me unir a elas, oferecendo-lhes reuniões, encontros e conversas. Porém, descobri que a unidade não era um simples ajuntamento ou uma programação com horário marcado, mas uma mentalidade que se constrói juntos.

Eu tentei não me iludir com palavras e escapar de argumentos aparentemente convincentes; mas admito que, às vezes, me despedi da prudência para abraçar a retórica.

Eu tentei manter a paz com todos, evitando confrontos, para não me separar de pessoas que admirava ou de corações que amava. Mas não deu, porque percebi que, para manter a paz com todos, também precisaria concordar com todos e, definitivamente, deveria esconder posicionamentos.

Eu tentei não acelerar processos e esperar tranquilamente as coisas ao seu tempo; mas, durante o percurso, me autodiagnostiquei com a patologia da ansiedade, que, devido a seu excesso de velocidade, sempre me provocou acidentes.

Eu tentei falar sem machucar, agir sem agredir, pensar sem desconstruir doutrinas já sacramentadas; mas me dei conta de que, poucas vezes, isso seria possível, pois o questionamento corre nas minhas veias e a busca por convicções fervem em meu coração.

Eu tentei contar tudo aqui e expor os meus fracassos sem reservas; mas, neste momento, percebo que o meu ego ainda não tem a capacidade de descer tanto.

Mas, enfim, eu tentei.

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