Jesus de Nazaré: o amor que brotou

30 de julho de 2018

Por Gilaelson

É bastante comum ouvirmos uma linguagem religiosa e enfeitada por contornos místicos quando alguém se propõe a falar sobre Jesus. Porém, o Jesus que pretendo aqui apresentar é um desconhecido das religiões. Por isso, gostaria de começar afirmando para a geração presente, em palavras simples e descomplicadas, que Jesus Cristo de Nazaré é, sem dúvida alguma, a pessoa mais impressionante que conheci. Sua vida, sua história e seu comportamento como Homem Deus, com certeza, tem um significado para além da nossa compreensão. Sobretudo, o que dele podemos entender é o suficiente para amá-lo e segui-lo. Jesus Cristo Homem, além de ter dividido a história, fez de sua humanidade a maior disciplina pedagógica disponível de que se tem conhecimento.

Ao analisarmos sua vida e comportamento, vemos que Ele teve as mais diversas razões para agir diferentemente da missão recebida pelo Pai. A começar pela forma como nasceu. As escrituras chegam a dizer que não se achou lugar para Ele em nenhuma hospedaria. Poucos dias depois de ter nascido, foi ameaçado de morte quando Herodes tentou matá-lo secretamente. Então, ainda recém-nascido, Ele desceu ao Egito, em fuga com seus pais, para não morrer antes do tempo. Embora tenha sido desprezado desde o nascimento e ameaçado durante toda a sua vida, Jesus não carregou nenhum desejo de vingança ou complexo de inferioridade, devido à consciência que desde cedo tinha de si mesmo, a qual o testificou como filho de Deus.

Dentro do seu lar Jesus soube conviver com as mais variadas indiferenças familiares. Seus irmãos, por exemplo, embora soubessem dos milagres que Jesus operava, não criam em sua deidade. Observem, no evangelho de João, capítulo 7, versículo 3, quando eles mandaram ironicamente Jesus sair da Judeia e ir para a capital Jerusalém para que se tornasse conhecido, um indicativo de oposição, em relação a sua essência e missão, dentro de sua própria casa. Por outro lado, Jesus tinha uma mãe que passou a vida com sérias dificuldades para entender qual era o seu real papel na história: Maria viveu todo o ministério de Jesus esperando uma prioridade que Ele não deveria lhe conceder, a ponto de Ele um dia lhe perguntar: “mulher, o que eu tenho a ver com você”? Isso equivale a dizer: “senhora, o que nós temos em comum?” Na cruz, Ele foi claro quando, antes de expirar, disse para Maria: “mulher, eis aí o teu filho” e para João, seu irmão: “eis a tua mãe”.

Mas o melhor é que Ele passou por todas essas incompreensões sem perder sua “família”; pelo contrário, manteve-os sempre por perto até às últimas horas de sua vida terrena. No seu batismo, protagonizou uma das cenas mais lindas e profundas ao lado do seu primo João Batista, quando Deus, o Pai, apareceu em voz audível e compreensível, juntamente com a pessoa bendita do seu Santo Espírito, deixando estarrecidos os que ali estavam presentes, bem como posteriormente toda a humanidade.

Definitivamente Jesus foi um perito na arte de se relacionar. Seus discípulos, que se tornaram seus amigos, o amaram tanto que entregaram suas próprias vidas por amor ao Cristo, sua doutrina e missão. Os pobres nunca tiveram tanto valor e jamais receberam tamanha importância na história como receberam de Jesus. Ele não foi somente um bem para sua casa, mas uma resposta aos aflitos e oprimidos. Sua equidade contemplou servos e senhores; sua sapiência impressionou os sábios, mas também alcançou os ignorantes. Jesus foi o desespero dos corruptos e um calo no pé dos religiosos opressores de sua época. Teve que dizer verdades duras de serem ingeridas por alguns, como quando, por exemplo, mandou um rico avarento dividir tudo o que possuía com os pobres, quando saiu em defesa das mulheres, quando conversava com elas em praça pública, contrariando a sociedade de sua época e suas religiões falsas. Ele era alguém amável, porque as crianças queriam estar próximas a Ele.

Mas, apesar de ser o Filho de Deus, o Pai não o poupou das mais cruéis experiências da vida humana. Jesus sofreu preconceito a vida inteira por causa do lugar onde morou. Quando alguns souberam que Ele era de Nazaré, perguntaram: “pode vir alguma coisa boa de Nazaré?” Algumas vezes, as pessoas o rejeitavam mesmo sem fazer nenhum exame crítico a sua doutrina; rejeitavam-no somente por causa de suas vestes; pois, apesar de se declarar Rei, Ele nunca se vestiu como tal. Jesus também sentiu de perto o que é ser desprezado quando, certo dia, após expor algumas verdades, foi abandonado por 70 discípulos. Ele provou o que talvez pudesse ser a dor emocional mais temida pelos humanos, que foi a traição, a ponto do seu coração machucado, perguntar ao traidor: “é com um beijo que trais o Filho do homem?”

Por isso, ele é conhecido também nas Escrituras como “homem de dores”. E homem de dores aqui fala de alguém que experimentou de fato o sofrimento humano. Jesus teve que conviver, por exemplo, a vida inteira com a consciência precoce de sua morte para os padrões humano. Ele sabia que viera para morrer e a hora que isso iria acontecer. Algumas vezes, tentaram pegá-lo e os discípulos tentaram protegê-lo, mas Ele mesmo disse que não era chegada a sua hora. Jesus sofreu perdas, como no emblemático caso em que ele chorou a morte do seu amigo Lázaro. Ele viveu na pele todas as necessidades e crises que um ser humano pode sofrer.

Jesus Cristo é o único Deus a ter a compreensão exata das nossas fraquezas e complexidades, e não apenas por sua onisciência (saber pleno, conhecimento infinito), mas também por sua experiência vivida na carne. Jesus é o amor em pessoa com a qual a humanidade precisa se relacionar, o prêmio para aqueles que se arrependem dos seus pecados, Ele é o passaporte para uma nova vida em Deus. Ele é o jeito de Deus para reconciliar o mundo consigo mesmo. Jesus Cristo, o primeiro e único Senhor, o nazareno homem, em quem temos a redenção. A Ele seja a glória, na Igreja, nos céus e na terra para todo o sempre! Amém!

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