O individualismo se tornou o prêmio! E agora?

23 de abril de 2018

Estamos vivendo um momento dos mais complexos e loucos da história dos seres humanos. Tenho a impressão de que a humanidade precisa ser reescrita, reiniciada para que não ocorra um shutdown irreversível. É como se tudo estivesse de cabeça para baixo e agora o que resta, são incertezas que se multiplicam nos corredores da imaginação, sem soluções à vista.

Um dos grandes indícios de que a humanidade se perdeu enquanto sociedade é sem dúvida alguma sua incapacidade de pensar e criar para o coletivo. Aliás, esse é um termo que caducou para a maioria porque a vantagem agora é idealizar o individual. E a consciência de grupo, família, unidade de outrora, está cada vez mais distante.

A arquitetura nos ajuda bastante a compreendermos pela sua história essa metamorfose retrógrada que sofreu a sociedade. Por exemplo: antigamente nós tínhamos um banheiro para todos dentro de casa, dividíamos um espaço que era de todos, sabíamos que o outro também precisava usar o sanitário e nos policiávamos no tempo de uso individual, porque tínhamos que pensar no uso coletivo. E o melhor, não havia um dono. Isso nos fazia crescer com um princípio fundamental para a construção de qualquer civilização saudável, à saber: a necessidade de pensar no outro.

Hoje, dentro de um espaço de 100 ou 200 m² temos um compartimento para cada um dos membros da família e não se diz mais nosso, se diz meu! Meu banheiro, meu quarto, meu computador, meu lugar, etc. A partir desse exemplo, vieram as propostas singulares até chegarmos a era das kitnets de 20m² para uma só pessoa. E se antigamente, o viver sozinho era uma escolha de pessoas estranhas, agora se tornou a sensação do momento. Vemos até as comemorações do tipo: “escapei do coletivo”, “agora é tudo para mim” e assim, a vida segue…

Vivemos numa sede exagerada por uma independência fria, autossuficiente, onde todos querem ser empresários, alcançar a chefia e a contradição vem logo em seguida. Por que quem será o empregado; quem fará o serviço braçal; ou, quem recolherá o lixo? Como desprezar o coletivo, como se afastar das razões que constroem a existência do que sonhamos empreender? Impossível! A menos, se fizermos tudo friamente, sem sentimento, desprovidos de relacionamento, e, assim também, deixaremos de ser humanos.

Mas qual é mesmo a vantagem do individualismo? Será que essa apologia a unicidade, resolve minha questão de liberdade? E até que ponto o querer ser único me fará ser mais importante? Afinal, será que sou mesmo único, ou, sou semelhante ao próximo? Talvez a resposta esteja exatamente aí. Porque, quando olho para o próximo, vejo nele os mesmos limites humanos que os meus, a fragilidade dele se parece muito com as minhas, percebo naqueles que estão a minha volta, dores, sabedorias, idiotices e medos. Exatamente, como os que carrego em segredo. Isso me faz ver, que talvez o que eu tenha mais do que ele, seja a ilusão de que sou melhor e o engano de ser o que não sou.

Chego à conclusão de que não há graça e nem futuro saudável no individualismo. Porque essa filosofia pode até ter enredo, mas, toda essa ficção logo acabará. Daí o melhor mesmo, será unir forças, juntar o saber de um, com a percepção do outro para que possamos construir dias mais lúcidos e com a participação de todos, fazer da vida uma grande fonte de contentamento.

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