O perigo da neutralidade do cristão

22 de outubro de 2018

Por Gilaelson

 

Definitivamente a vida não é feita para quem quer viver no palco da neutralidade. Há pessoas que se acostumaram a dizer: “eu não sou contra nem a favor” ou “não digo que sim e nem digo que não” e, nesse chamado politicamente correto, evitam assumir posturas e emitir opiniões que definem a responsabilidade dos indivíduos como cristãos e consequentemente como seres humanos. Eu fico imaginando se Jesus chegasse aqui com a filosofia da neutralidade e alguém perguntasse: “Senhor, que achas dos fariseus?” Jesus responderia: “Olha, não quero me envolver”. Ou ainda: “Senhor, o que pensas sobre o divórcio?” E Ele: “Prefiro não responder sobre esta questão”.”Mas, Senhor, precisamos que fale sobre a nossa altíssima carga tributária”. Jesus diria: “É melhor não mexer com esse povo”, etc.

Deu para perceber que Jesus Cristo assumiu posturas e declarou opinião sobre praticamente tudo que lhe exigia respostas? Pois é, foi assim também com os seus apóstolos, que continuaram a missão; os quais, mesmo quando tiveram suas vidas em risco, não lançaram mão do subterfúgio da neutralidade. As Escrituras também não deixam espaço para os neutros e declaram um lado, uma visão,e ali não se omitem as questões mais polêmicas da espiritualidade e do comportamento humano. Portanto, um cristão que usa a neutralidade como escape ou faz de sua proposta um estilo de vida não pode estar de acordo com as Escrituras, porque esta Palavra sempre exigiu um posicionamento.

Mas por que muitos optam pelo refúgio da neutralidade? Muito simples! A neutralidade traz para o seu adepto a falsa sensação da ausência de conflitos e a ilusão da inerrância. E, mais que isso, a neutralidade pode esconder a covardia! Isso mesmo, o medo de arcar com a responsabilidade da opinião, as consequências do posicionamento e o receio de desagradar os outros! Não obstante a tantos esconderijos propostos por essa falsa forma de viver e ver a vida, esse jeito indefinido na existência oferece aos seus simpatizantes a plataforma da conveniência. De modo que, entre a peleja de Antônio e José, o neutro está aguardando para ver quem vai vencer e, podem observar, ele sempre vai ficar do lado do vencedor, não importa quem for.

E, na conclusão de tudo isso, o bem estar individual é a maior preocupação de quem exerce a neutralidade. No evangelho do Cristo, nós não nos furtamos do dever da definição, ainda que isso custe um rompimento de amizade ou uma cara feia. No evangelho, nós declaramos que somos opostos à ideologia de gênero. No evangelho, não nos associamos aos que praticam a corrupção e nem votamos naqueles que fazem dela seu meio de vida. No evangelho, não aceitamos a união homossexual, rejeitamos a adoção de crianças por casais gays e não comungamos com quem defende tais práticas. E, da mesma forma, não temos problema em tornar isso conhecido perante os homens. No evangelho de Jesus Cristo, só há duas opções: sim ou não, e o que passa disso vem do maligno.

Lembro-me de que, quando criei meu blog, fiquei tentando criar uma frase que explicasse meu objetivo, até que escrevi esta: “A tentativa de agradar a todos é como querer atravessar a nado o oceano; além das impossibilidades, os riscos são grandes”. Se você está tentando agradar a todos, existe algo de muito errado com seu discurso; e o pior, seu objetivo no curso da vida possivelmente está corrompido. É impossível tal façanha. Inevitavelmente, vamos ser odiados, xingados, vamos perder amigos, sofrer agressões, ferir e ser feridos. Quando isso acontece? Assim que você emite uma opinião ou define um lado.

Em resumo: A neutralidade é a caricatura da insignificância. Não há contribuição real quando alguém se omite de um dever; é uma
comida sem sal, uma árvore sem frutos.

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