Procura-se Honestidade

17 de julho de 2016 Geral

Houve um tempo em que ser honesto era o principal requisito para a inclusão de determinada pessoa em uma família ou comunidade. O exercício da honestidade era uma espécie de RG do cidadão e o seu nome possuía maior valor, do que a mais alta cédula corrente. Entretanto, este é mais um dos valores que ao passar do tempo foi substituído por títulos e posições, deixando nítida uma realidade, a de que o mundo mudou, os valores mudaram e a maioria não se deu conta desta desastrosa metamorfose.

 

Nada tenho contra os títulos e nem tampouco condeno posições de destaques na sociedade, muito pelo contrario, penso que ambos são necessários, contudo, o que incomoda é a substituição do “ser” pelo o “possuir”, esta é a medíocre idéia de que: aquele que tem, vale mais do que aquele que é. Os conformistas corroboram esta visão ao dizerem que nesse mundo “vale” quem tem; essa declaração para mim é um atestado de fragilidade, emitido por aqueles que entregaram os pontos a imposição de uma filosofia barata e vazia da sociedade pós-moderna; que devido a sua ganância, desvalorizou o valorizável para valorizar o depreciável.

 

Devido a estas e outras concepções, a honestidade se ausentou tanto desta geração, que quando se ouvi falar dela em suas raras aparições, muitos se espantam diante de decisões e posturas que lhes são tão peculiares. Estamos vivendo no tempo em que as moças se envergonham por se manterem virgens e os pobres são constrangidos por serem classificados assim, bem disse Rui Barbosa: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver crescer as injustiças, de tanto ver agigantar-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”. Na verdade essa não é uma declaração solta, isso é quase uma profecia emitida por alguém que bem antes, já percebia à ausência de valores essenciais e que mais tarde levaria a essa degradação moral que sofremos hoje.

 

Mas onde andará a honestidade nesse tempo tão nebuloso e de tantas variações? Nos políticos, que para chegar a Brasília prometem resgatar os direitos e a dignidade do nosso povo? Não, não consigo enxergá-la nos gabinetes confortáveis do distrito federal ou no discurso dos “poderosos”, que com uma consciência cauterizada do amor e da bondade, roubam o dinheiro público, tirando assim, a oportunidade dos mais simples.Então, estaria na educação o que estamos procurando? É difícil crer nesta possibilidade porque as estatísticas e acontecimentos recentes revelam que a corrupção é uma prática vista em sua maioria por aqueles que valorizaram a escola. Aliás, foi-se o tempo em que ir ao colégio ou faculdade, era sinônimo de honestidade ou garantia para alguém crescer honesto. Sinto saudade daquele tempo em que os professores e até algumas matérias se preocupava com o comportamento do indivíduo, levando-o a conscientização de que além de aprender ler e escrever, também era necessário ser um bom cidadão.

 

Refletindo assim, estou convicto que a honestidade não está e nem virá desse modelo educacional aí estabelecido. Este é um sistema lânguido e manco, que tem como finalidade preparar doutores e máquinas para serem usados na sociedade e gerarem

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