A indústria dos boatos

18 de julho de 2016 Geral

Antigamente os boatos eram vistos como coisas de gentalha, por isso a sociedade dizia: Não! Isso são apenas boatos e a vida seguia em frente. Mas hoje, os boatos se modernizaram, migraram de classe social e se tornaram um produto de venda. Eles chegam via e-mails, conseguem posições de destaques nos principais sites da NET; os quais, nem se preocupam mais em disfarçar que são falácias porque sabem que vendem mesmo assim. Na TV, por exemplo, eles (os boatos) elevam a audiência, ditam modelos de programas, determina quantias mirabolantes para patrocinadores em seus períodos de exibições. Etc.

 

Você quer aprender criar um boato de sucesso e ser um empreendedor deste “fantástico produto”? Então não pense que seja tão fácil assim. Primeiro você precisa ser um mentiroso de alto gabarito, não aquele mentiroso de esquina que mente para obter um sorriso. Para isso será preciso vender o seu boato como verdade, criar falsas provas; recheá-las de bons argumentos e incutir na cabeça do leitor ou telespectador que sua notícia é verdadeira. Mas tenha sempre em mente uma coisa: o segredo deste sucesso é criar a noticia e não esperá-la acontecer.

 

Quanto às conseqüências, você não deve se preocupar, nada que dois bons advogados não resolvam (até porque a justiça é lenta e nem sempre funciona), coisas deste tipo. Portanto, não se importe com isso, o mais importante mesmo é vender aos consumidores e conseguir dinheiro! Porque com dinheiro as conseqüências não são tão graves assim, com dinheiro seu poder de compra ira aumentar, e aí você deve imaginar como “trabalham”, dez para um, quinze para outro e tudo continua como está, isso também faz parte dessa valiosa indústria.

 

Mas quem são os empresários dos boatos? Respondo: Pessoas letradas, homens inteligentes e ambiciosos que desconhecem o sentimento de culpa, pois suas consciências são construídas por alvenarias de dólares, seguidas de reais megalomanias pessoais não assumidas. Gente de alta extirpe, porém intocáveis por magistrados da lei que com suas raras exceções usam o absorvido como decisão contínua. Sinto-me como se esse país estivesse retrocedendo, pois outrora assistíamos ou líamos os jornais para sabermos os fatos e obtermos informações concretas da nossa realidade. Hoje, porém, os boatos que antes eram coisa feia, infelizmente são a sensação do momento.

Por:  Gilaelson Santos

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