Quando chega a hora de sair de cena

abril 3, 2019

A arte de se relacionar pode ser como um filme, construído por várias cenas que contêm erros e acertos, idas e vindas, boas tomadas e ângulos difíceis. É como em qualquer enredo, pode ter uma cena decisiva e até um capítulo final. E, analisando este curta-metragem da emoção, quero exibir aqui, algumas cenas que talvez lhe façam compreender melhor o seu verdadeiro papel dentro da sua própria história.

Na primeira cena, as coisas costumam acontecer sem que tenhamos uma participação direta. Sabe aquele encantamento que as pessoas têm assim que te conhecem ou se aproximam de você? Elas admiram sua voz, se deslumbram com seu jeito, fazem questão de ter sua presença por perto e, em alguns casos, até brigam por você, se necessário. Tudo porque você entrou de forma apaixonante na cena de suas vidas.

Mas, de repente, elas simplesmente começam a se saturar de você; seu jeito, que antes era interessante, se tornou aborrecedor; sua voz, que a pouco era bonita, agora se tornou insuportável. E sua presença então? Bom, ela agora já não faz tanta diferença assim.

Na cena seguinte, às vezes nós mesmos criamos um roteiro sem sucesso algum. Buscamos formas de nos achegar àquela determinada pessoa, forçando uma intimidade que se recusa existir. Falamos, na esperança de que elas se livrem de um mal previsível ou na expectativa de que mudem para melhor. Enfim, nos pegamos fazendo sempre um investimento sem retorno e oferecendo uma dedicação sem a mínima valorização.

Na terceira e última cena, a de maior complexidade, você cai em si e percebe que todo o seu esforço nesse enredo tem sido em vão e que seu amor, preocupação, carinho e cuidado com esse alguém atingiu o limite do desperdício e alcançou a extremidade do ridículo.

Mas, por que insistir tanto assim com alguém que não lhe quer? Ou por que falar tanto para alguém que não te ouve e nem ao menos considera sua opinião? Será mesmo que vale a pena? Será que não é hora de pensar um pouco em você mesmo?

No seu caso, talvez tenha chegado a hora de sair de cena, abandonar o palco, esquecer a tentativa do protagonismo, dar um tempo. E, para isso, os bastidores podem ser o lugar ideal para quem só acumulou frustração na tentativa de construir uma relação promissora ou um mundo encantado para o amor.

Saia da linha de frente, aprenda a fazer falta, pare de buscar o que não se encontra, permita-se ser buscado. Às vezes, é soltando que se prende. Quem sabe seu maior ato de inteligência agora seja o de recuar. Você já percebeu que quando nos afastamos, nossa visão se amplia? É isso! Existem percepções que só vêm quando recuamos e algumas respostas só chegam quando retrocedemos.

Sei que não é fácil abrir mão de alguém, mesmo que seja apenas por um tempo; mas chega a hora em que não há outra alternativa senão a de se afastar. Vá para os bastidores da sua alma, limpe seu ambiente emocional, valorize a si mesmo, pense em quantas pessoas querem o carinho, a proteção e o cuidado que você oferece. Tente imaginar que existem outras pessoas no mundo buscando justamente o que você propõe ou quem sabe tentando encontrar alguém pelo menos parecido com você.

Não tenha medo! Saia de cena! Talvez você volte a atuar de forma mais significante na tela da vida ou quem sabe você descubra, após uma profunda reflexão, que o seu papel com esse alguém já havia mesmo chegado ao fim… e somente você demorou a perceber.

Considere isso…

 

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