Viver dói!

4 de abril de 2020

Completando hoje mais um ano de vida, não tenho dúvidas; dói bastante viver! Mas, a questão gira muito em torno de como administramos nossas dores, porque evitá-las é impossível.

Você já percebeu que a dor no corpo humano serve como alerta; um sinal de que algo não vai bem? Se você olhasse por esse prisma ao invés de reclamar de suas dores, iria dizer: Obrigado cérebro! Por fazer doer, me avisando que algo está errado. Saiba que nesse horizonte, a maneira como vemos o incômodo determina o tipo de figura interior que estamos montando diariamente em nós mesmos.

A vida vai sempre ter a parte que dói, porque sua configuração é variável. Observem como o clima se transforma, trazendo sensações diversas, inclusive prejuízos como previsão. A economia oscila com seus movimentos catastróficos; a doença nos balança; leis são alteradas; pessoas mudam. Enfim, o processo é completamente mutável, e claro, isso não ocorre sem o gosto da agonia e nem os calafrios da angústia.

A essa altura da existência, olhar para a vida somente com olhos apaixonados ou estupefato de boas expectativas seria muita irresponsabilidade de minha parte, até por que, ainda tenho uma filha para criar. E depois, minhas dores atuais não me permitem, tamanha insensatez. Nesse aspecto, sou como um idoso de saúde frágil e movimentos limitados que agora expõe em ligeiras letras a fragilidade da alma humana. Tenho dor no peito que são sintomas dos erros que cometi. Nas juntas dos braços convivo com as dores das decepções, por ter feito articulações para o bem, e, que me pagaram com o mal.

Olhei hoje para minhas pernas e me peguei sentindo dores, devido às consequências de caminhadas longas e desnecessárias que fiz, buscando a verdade, quando ela estava logo ali. Não obstante a esse quadro, minhas mãos agora, reclamam de um esforço sem recompensas e de obras feitas por elas sem a mínima notabilidade. E o pior! Meu cérebro por sua vez, se sacode em movimentos de sim, concordando com outros membros do corpo que gemem devido a esse lado espinhoso da vida.

Mas, como disse no início. A questão gira muito em torno de como administramos e foi isso que me fez perceber que a vida é um aprendizado sem fim. A gente precisa aprender a se levantar dos baques; refazer rotas equivocadas; reposicionar conceitos; criar novas pontes; estruturar emoções; adicionar conhecimentos inexistentes e solidificar a lucidez para um equilíbrio maior. É como na ciência, o remédio da dor, sempre veio após um longo e dedicado estudo.

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